Poemas do Silêncio Interior
Sobre quietude, transformação e descoberta pessoal
Poema I
Silêncio
Aprecio o silêncio
que é quando eu me escuto
me olho
me desvendo
me abro pro novo
Escutar
Quando silenciamos o mundo externo, os sussurros da alma ganham voz e presença.
Olhar
No espelho do silêncio, nos vemos além das camadas que o cotidiano impõe.
Desvendar
Cada momento de quietude revela verdades que o barulho esconde de nós mesmos.
Abrir
O silêncio não é vazio. É portal para possibilidades ainda não imaginadas.
Poema II
Céu
O céu se abriu, clareou
num tom azul oceano
nuvens com formatos das nuvens que desenhava na infância
Por que parei de desenhar a criação?
Por que paramos de dar ouvidos à criança interior conforme crescemos?
A Criança Que Fomos
1
Infância
Desenhávamos o mundo como gostaríamos que ele fosse — colorido, leve, sem limites.
2
Crescimento
Aos poucos, as responsabilidades e expectativas silenciam a voz criativa que habitava em nós.
3
Reencontro
O retorno à criança interior não é nostalgia, mas reconexão com a autenticidade perdida.
Poema III
Apagão
Sentada em minha cama
lendo sobre mim
uma leitura calma, serena
sensação de não querer terminar
viro à minha esquerda
penso no que sou e no que vou me transformar
apago a luz, o que fui um dia
o novo me espera
O Ritual da Transformação
Leitura Interior
Ler sobre si mesma é um ato de coragem — mergulhar nas páginas da própria história sem medo do que será revelado.
O Momento Suspenso
Aquele instante antes de apagar a luz carrega a serenidade de quem está em paz com o presente, mesmo sabendo que mudanças virão.
Apagar Para Renascer
Desligar a luz não é fim, mas passagem. O escuro prepara terreno para que o novo possa germinar e florescer.
Poema IV
Nascente
Há um desejo na nascente
que transborda em mim
não há curva, pedra ou corrente
que impeça o rio em mim
de jorrar por toda p(arte)
A Força da Água Interior
Como a água que encontra seu caminho através das pedras, o desejo autêntico não se deixa conter. Ele flui, adapta-se, contorna obstáculos, mas nunca cessa seu movimento essencial.
A nascente em nós carrega a memória da origem e a promessa do oceano. Entre esses dois pontos, somos puro movimento, pura potência criativa buscando expressão.
Nascente
O impulso original, puro e cristalino, emerge do mais profundo do ser.
Rio
Em movimento constante, adaptando-se sem perder a essência, fluindo com propósito.
Arte
O destino final é também presença — jorrar por toda parte é criar, é viver plenamente.
Made with